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quarta-feira, 28 de março de 2012

Das cenas inesquecíveis - Lost in Translation


Sofia Coppola é o tipo de diretora e roteirista que ou você adora ou odeia. Eu me encaixo no primeiro grupo. Há algo de melancólico nos filmes dela, talvez algo embutido entre o silêncio que paira entre uma fala e outra, ou na música que embala as paisagens urbanas... esse algo melancólico me encanta. A diretora consegue captar o mundo solitário de um indivíduo, seja ele um ator de cinema decadente no meio de uma crise pessoal ou uma moça na flor da juventude com um sentimento aterrador de inadequação e insatisfação. Porque o indivíduo está mesmo em si quando está em silêncio. É ali que pensa, que sofre, que pondera, medita... ou que não quer pensar em nada, simplesmente. De alguma forma bizarra a diretora consegue captar isso, e transforma em algo quase poético em suas cenas.
A cena a seguir é do filme Lost in Translation, ou, no Brasil, Encontros e Desencontros. Nessa cena há o "encontro" final dos dois, que apenas fecha o enorme "desencontro" entre eles e consigo mesmos. Pode parecer lírico demais, até piegas, mas um pouco de cada um de nós se identifica com os elementos dessa cena. De quebra, a música ajuda muito, o som abafado do Jesus and Mary Chain com Just Like Honey. Liiiindo.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Desafio Literário 2012 - Coraline - Neil Gaiman





Coraline (não Caroline!) é um livro para crianças, ou era para ser. Lembro que quando vi o filme, anos atrás, fiquei até com um medinho... mas acho que as crianças são mais corajosas hoje em dia. A própria Coraline (não Caroline!) é uma menina bem corajosa. E curiosa. Recém moradora de uma casa meio afastada de tudo, passa seus dias brincando do lado de fora, explorando a paisagem, conhecendo os vizinhos e pedindo atenção dos pais, sempre muito ocupados, trabalhando em casa. Ao lado do gato, uma companhia bastante volátil, visita locais do quintal, toma chá com as vizinhas, senhoras há muito aposentadas do teatro, e troca palavras com o vizinho de cima, um treinador de camundongos de circo. Dizem que os camundongos tocam instrumentos e treinam o dia todo. Se é verdade Coraline não sabe. Mas essa rotina não é suficientemente interessante para a menina, afinal, está de férias e tem muitas horas pra gastar. Tudo muda quando a mãe, tentando dar-lhe o que fazer, mostra-lhe a chave de uma antiga porta num quarto onde se guarda a mobília herdada da avó. A porta foi cimentada de cima abaixo, separando a casa em apartamentos. Depois de abrir a porta e mostrar a filha os tijolos por trás, deixa-a destrancada, pois não há motivo para passar a chave. A partir daí tudo começa a ficar muito estranho. Um certo dia, sozinha em casa, Coraline se coça de curiosidade para reabrir aquela porta, mas o que encontra quando abre não é nada do que tinha visto antes. Seus olhos veem um corredor escuro e longo, e não há curiosidade que resista a atravessá-lo. Do outro lado encontra sua casa, a mesma, igual, de novo. Só que muito melhor, muito mais legal, cheio de diversão e cor, como sempre quis. E uma mãe, igual à sua, que a ama muito quer que a filha se divirta o quanto possa. Só uma detalhe a difere: seus olhos são botões pretos. Caroline se diverte, come seu prato favorito, brinca, relaxa e volta pra casa. Mas seus pais da casa real nunca mais aparecem. O que aconteceu? Coraline (não Caroline!), corajosa como é, terá que descobrir.
Como um romance infanto-juvenil do Neil Gaiman não é nada além de ótimo, é certeza de uma boa leitura, por mais maduro e adulto que você seja. Se gostar, recomendo também o Livro do Cemitério, que é uma delícia de leitura. 


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TOP 5 Filmes Woody Allen

Para completar o quadro geral do ser clichê que admito ser (e que gosto de ser), venho fazer um TOP 5 dos filmes mais geniais do meu, do seu, do nosso adorado cineasta, escritor, ator e outras coisas mais, Woody Allen.
A ordem será cronológica, do mais antigo ao mais atual, pois seria desafio demais tentar classificá-los do melhor para o... menos melhor? rsrs (me perdoem os estetas do português, mas não dá para falar "pior")


1) Annie Hall 1977
Annie Hall é o grande marco na carreira de Woody Allen. A partir deste filme o cineasta passou a ser reconhecido mundialmente por suas comédias existenciais que permeiam os relacionamentos amorosos.O filme traça a relação de Alvy Singer, o próprio Woody, e Annie Hall, Diane Keaton (papel que marcou profundamente sua carreira). Não precisa dizer que ambos têm comportamento neurótico, como já diz o jocoso título do filme em português: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Assistindo, você não sabe se torce para o casal ficar junto ou se separar de vez. Uma loucura.

"A relationship, I think, is like a shark. You know? It has to constantly move forward or it dies. And I think what we got on our hands is a dead shark" Alvy Singer






2) Manhattan 1979

Manhattan desponta quando Woody Allen já se consagrou como ótimo diretor, escritor e ator (caricatural, é claro). Já está estabelecida sua obsessão com os temas Nova Iorque, americanos judeus, relacionamentos amorosos complicados, e insatisfação crônica. Neste filme, Woody é Isaac, recém divorciado de Jill (a já glamurosa Maryl Streep, novinha). Ela está escrevendo um livro que parece bem autobiográfico, e revela detalhes de seu casamento. Isaac está se relacionando com uma adolescente, mas não parece nada satisfeito... e daí se desenrolam desejos, triângulos amorosos e outras formas geográficas mais difíceis de descrever. A fotografia do filme é linda e valoriza muito os horizontes da metrópole mais famosa do mundo.

"I think people should mate for life, like pigeons or Catholics" Isaac Davis






3) Match Point 2005
Match Point está na lista porque representa o início de uma fase na carreira de Woody Allen: películas filmadas na Europa. Este, por exemplo, foi rodado na Inglaterra. A trama do filme envolve mentiras e traições de um homem, Cris Wilton, que custa a decidir se prefere uma vida financeiramente confortável ao lado de sua esposa rica, ou sexualmente interessante ao lado da amante. A sorte é a grande personagem principal do filme, não abandonando nunca Cris. Uma influência forte e clara é o livro Crime e Castigo de Dostoiévsky. Há várias passagens que remetem à obra. É um filme marcante, que abre uma era muito agradável da obra de Woody Allen. 

"Eu prefiro ter sorte do que ser bom"




4) Vicky Cristina Barcelona 2008

Ah... este filme é extremamente agradável. Misture Espanha, Javier Bardem, Penélope Cruz, Scarlett Johansson, vinhos, Gaudí e Woody Allen. Dá pra ficar melhor? Uma trilha sonora incrível recheada de guitarras espanholas, imagens maravilhosas, diálogos interessantes e dúvidas existenciais na flor da juventude. Não precisa de mais nada. Mas, se interessar, Woody se inspirou na obra de Henry James sobre as diferenças em como europeus e americanos tratam o amor (ato e sentimento). Na época, coincidentemente ou não, estava lendo Retrato de uma Senhora, do Henry James, e vi bastante a diferença relatada. De qualquer forma, é um filme que assistiria de novo, e de novo, e de novo...

"Maria Elena used to say that only unfulfilled love can be romantic" Juan Antonio



5) Meia Noite em Paris 2011

Por fim, escolhi este filme para fechar a lista. Não julgo que seja o melhor ou o mais genial (apesar de me inclinar bastante nessa última opção), mas une algumas das coisas que mais me divertem na vida: cinema e literatura, num estilo bem Woody Allen. Ainda mais ambientado na linda Paris, na "época de ouro". A história gira em torno de Gil (Owen Wilson), escritor americano que passa férias em Paris. Um dia, andando à noite, pega uma carona que o teletransporta para a Paris dos anos 20. Alí, pasmo, ele conhece grandes nomes da época que, para ele, representa a era de ouro na qual queria ter nascido. Scott e Zelda Fitzgerald e Ernest Hemingway passam a ser parte de seu cotidiano, e até Dalí e Bañuel dão uma pinta na trama. Fascinante! 

"That Paris exists and anyone could choose to live anywhere else in the world will always be a mystery to me"


(se fosse uma simples questão de escolha...) 






domingo, 5 de fevereiro de 2012

O Hobbit - J.R.R. Tolkien






O Hobbit faz parte da vasta lista de livros que me envergonho de nunca ter lido. Como haverá o filme do livro de Tolkien este ano (após muita enrolação), e havia, convenientemente, um exemplar da obra aqui em casa à minha disposição (esta edição da foto), resolvi eliminar este item do “hall of shame”. Daí, só faltarão outros milhares (como a trilogia que o segue... eu sei, eu sei, me envergonho muito mesmo!).
Logo no início do livro me identifiquei muito com o estilo de vida hobbit. Acho que não prezo nada mais que o conforto da minha “toca”, os desjejuns fartos, e as horas de contemplação da vida sentada na poltrona segura da minha sala. A rotina é um prazer apreciado por poucos, deveras. Mas esse hobbit, o Sr. Bilbo Bolseiro, foi obrigado por Gandalf e um bando de anões a seguir em uma aventura em busca de vingança e recuperação de um tesouro há muito tomado dos anões por um dragão, Smaug, nas montanhas. Relutante como pôde e desconfiado como nunca, partiu para essa aventura perigosa e traiçoeira contra sua vontade. Mas ao longo do caminho, onde conheceu elfos, águias e homens,  e combateu trolls, orcs e wargs, foi, aos poucos, revelando ser mais corajoso e sábio do que jamais imaginara. E isso mudou muito sua vida, assim como a de seus colegas.
Vários pequenos detalhes do livro tornam a narrativa uma obra muito divertida e especial para a leitura. O estilo de escrever de Tolkien deixa o leitor entretido, pois é ao mesmo tempo formal e bastante descontraído. Passagens como “(...) e havia o hobbit que era tão grande que podia até montar um cavalo”, entre outras, abrem sorrisos durante a leitura.
E mais: durante a aventura o hobbit encontra o anel! Sim, aquele mesmo anel que gerou todos os problemas que você conhece pelos outros livros/filmes (my precious!!!). E eu fiquei pensando, talvez influenciada pelo conhecimento da história, que neste livro o anel já demonstrava ser um pouco maligno como viemos a saber depois. O próprio Bilbo, ao encontra-lo e descobrir sua utilidade, não quis, a princípio, contar a nenhum de seus companheiros o achado.
Durante a longa aventura, várias vezes o Sr. Bilbo Bolseiro deseja estar em sua toca, prestes a tomar o segundo desjejum. E o desejou não pela última vez. O caminho é longo, as aventuras árduas e o tesouro farto. Melhor ainda é acompanhar tudo isso pela leitura.

O filme, O Hobbit - Uma Jornada Inesperada, está previsto para este ano.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os descendentes


Então assisti Os descendentes. Não sei se é a idade chegando, ou a época do mês que me encontro, mas tenho me sentido muito mais emotiva ao ver estes dramas familiares.
O filme se passa no Havaí, mas, logo de cara, nas primeiras frases narradas pelo personagem do George Clooney, Matt King, você entende que não se trata de praias cristalinas, sol rachando e mulheres com colares de hibisco balançando os quadris. É um drama familiar, sim senhor. A mãe de duas filhas, esposa do sr. King, bateu a cabeça no barco e está em coma desde então. Sua filha caçula, Scottie, está refletindo sua angústia em mau comportamento e bulling na escola. A filha mais velha, Alex, é uma adolescente que, brigada com a mãe desde o Natal, passa seus dias na escola com crises de indisciplina regadas a álcool. E o chefe de família, advogado dedicado, marido displicente e pai confuso, tenta equilibrar a situação como malabarista. Em meio às negociações da venda milionária de um terreno do qual é herdeiro junto aos seus primos, tenta manter um pensamento positivo com relação à situação da esposa. Talvez, quando ela acordar, o casamento adormecido acorde junto, a família se reúna e tudo tenha um final feliz. Assim seria, até o médico dar o veredito final: ela não vai sair do coma. Terão que desligar os aparelhos. Segue-se então a tarefa nada agradável de contar aos amigos e familiares a notícia, para que tenham a chance de se despedir. Mas uma notícia complica ainda mais as coisas: a esposa estava o traindo, havia algum tempo, com um corretor de imóveis. A filha sabia (ela o contou), e amigos sabiam. E ele decide que seria decente avisar ao amante sobre a morte. Muito altruísmo? Decisões equivocadas? Quem nunca teve um drama na família que atire a primeira pedra.
Esse não é um filme qualquer sobre o Havaí. Tampouco um filme qualquer sobre uma morte em família. É um filme que, de alguma forma, desperta um pouco de identidade e simpatia com aquela família. E, no geral, um bom entretenimento para passar o tempo.