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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Falando besteira.

Difícil não ter uma posição pessimista de tudo. Nos últimos tempos, se vejo as notícias nos portais online, se abro o facebook, se vejo telejornal, se saio à rua e ouço as conversas ao redor, se troco ideias com alguém... vou encolhendo, encolhendo e ficando pequenininha, tão pequenininha, de tanta tristeza generalizada. O que está certo dentro disso tudo? Mais fácil perguntar isso do que o contrário. As pessoas desfilam ódio e preconceito numa posição completamente defensiva, hostilizando outras que nada mais, nada menos, são culpadas apenas de pensar e expor suas opiniões.
E aí vem o loop eterno: todos têm o direito de expor suas opiniões, mesmo aqueles que são contrários a isso (entenderam o paradoxo??).
Então vamos lá: ódio aos homossexuais (tudo é culpa deles, desse "povo que não presta"), aos índios (sim, a demarcação da terra deles nada mais é que um golpe influenciado pelo império americano e europeu querendo impedir a expansão das nossas fronteiras agrícolas), aos médicos cubanos e Cuba em geral (escória do planeta, DEUSMELIVRE se o Brasil vira um país como esse, sem educação, sem saúde, sem mídia livre (!!!), com tanta pobreza, sem esperança, já pensou como seria?), aos serventes de pedreiro que conseguiram comprar carro (gente, quem aguenta tanto carro na cidade?), às mulheres que insistem em ter direitos iguais e voz (don´t even get me started), aos folgados que entram na universidade pelo sistema de cotas (coisa mais injusta com quem estudou direitinho na escola particular a vida toda, não é, meu povo branco?), a tudo que atrasa nossa sociedade e corrompe os valores tradicionais que vêm dando certo a tanto tempo. Afinal, pra que mexer em time que tá dando certo, né?
(Pausa pra garantir que todos entenderam o recurso da ironia usado aqui. OK)
Por tudo isso e muito muito muito mais (nossa, muito mais mesmo) é que não tem como permanecer feliz em um país que, por exemplo, cogita colocar Bolsonaro na Comissão de Direitos Humanos da câmara. Parece coisa de uma realidade paralela, uma piada contada por aqueles palhaços melancólicos e decadentes que só dá vontade de chorar. Depois de tudo, vem isso de novo? Não quero falar mal do país, colocar a culpa em algo externo e fingir que não tenho nada a ver com isso. Mas então, o que fazer? Parece que estamos vivendo constantemente em um episódio de Simpsons, mas sem o lado engraçado.
Eu sei que minha visão é apenas uma faceta um tanto ingênua dessa brincadeira toda, e que eu também, vez sim, vez não, estou apenas colocando o nariz de palhaço. Mas é que é triste, meu povo. E eu não sei mais o que opinar, o que pensar, se devo ou não racionar sobre isso tudo, pois fico cada vez mais longe de qualquer fio de esperança. Acho que vou parar de ler notícias por um tempo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

“Sessão de terapia: seu tempo acabou” Ou “Faz diferença?”



"Existirão pessoas que simplesmente nunca se encontram? Uma vez assisti a algum filme, ou comercial, ou li em algum lugar, enfim... não me lembro onde foi, mas a frase aterrorizante (esse adjetivo vem do olhar de hoje) foi a seguinte: “e o cara mais genial que conheço não tinha ideia do que queria da vida aos 22 anos de idade”. Na época, eu adolescente, indecisa, perdida, encontrei muito conforto nessa frase. Mas os 22 vieram e passaram. Daí houve algum momento, quando conheci Neil Gaiman, que li em alguma parte de alguma contracapa de um livro dele (memória tá falhando pesado) que ele próprio só começou a escrever aos 24 anos, e antes não tinha noção do que queria também. Muito bem, pensei, que ótimo, uma esperança. Mas os 24 anos vieram e passaram. Mas ainda sim sempre fica uma expectativa, de alguma forma existe a certeza de que quando o momento chegar haverá sinos tocando e sinais bem claros em toda a sua volta. Mas, enquanto isso não acontece, você coloca o despertador para tocar as 7 da manhã. Depois de uma noite de sonhos conturbados e momentos despertos, o despertador cumpre sua função, e você pensa: para que levantar agora? Fará assim tanta diferença se eu acordar agora ou daqui a 15, 30 ou 45 minutos? Finalmente, levanta, se arruma, às vezes até exagera na produção, pois você quer e precisa se sentir bem, e vai “trabalhar”. A razão das aspas é compreensível só para aqueles envolvidos com pós-graduação stricto-senso que vivem da bolsa que recebem. Um fenômeno conhecido como “síndrome do vampiro intelectual”, suga sua mente, sua alma, te deixa marcas profundas, e não dá nada em troca. Durante o dia você repassa muitas decisões na sua cabeça, enquanto realiza uma tarefa que deveria receber mais atenção. “E se isso, e se aquilo”, “talvez se eu fizer isso”, “quem sabe é por causa disso” e outras frases ficam salteando nos pensamentos até que a resolução do dia brota: “ah, já sei, vou fazer isso, começo segunda feira, uma vida toda organizada, vai dar tudo certo, era disso que eu precisava”, e os seus problemas estão resolvidos. É possível até visualizar tudo correndo perfeitamente, com disciplina e organização até sua vida normal poderia ser mais interessante. No intervalo entre o término de uma tarefa, uma pausa para o café ou uma ida ao banheiro, toda a resolução fica esquecida, como se nunca tivesse surgido. Você decide que já trabalhou demais, e mesmo se fizer hora extra nos próximos 100 anos não vai terminar o trabalho mesmo (aliás, foi por isso mesmo que você nem quis acordar mais cedo), então vai embora. Pega trânsito. Pensa que deveria ter saído mais tarde para evitar o trânsito mais sempre faz a coisa errada mesmo. Chega em casa, liga a TV somente nos programas de comédias, ri um pouco, esquece um pouco, faz um lanche, ah como é gostoso estar em casa, que bom ter um teto, uma casa confortável, uma comida gostosa, nem sei porque passo tanto tempo pensando e reclamando. Decide que se não for dormir mais cedo não conseguirá levantar mais cedo amanhã, que é o que deveria fazer mesmo, ser mais positiva, trabalhar mais, com mais prazer e etc. Pega um livro, lê durante um bom tempo até o sono bater. Apaga a luz, se enrola nas cobertas, e, apesar de cansada, pensa e pensa e pensa por muito tempo. E lembra que amanhã terá que fazer tudo de novo. E dorme. E tem sonhos conturbados e momentos despertos à noite, até que seu despertador toca às 7 da manhã. Faz diferença se eu me levantar agora ou daqui a 15, 30 ou 45 minutos? A sensação é de estar inventando coisas para arrastar o tempo, disfarçar os dias, justificar a existência, preencher o passar dos minutos."


quinta-feira, 29 de março de 2012

Ah, a hereditariedade...


"Ah Pai, por alguma ironia, como se já não estivéssemos farta dela, lembro sempre de ligar-te lá pro meio da noite, quando já não é mais educado tocar as campainhas telefônicas das casas de outrem, quando já tenho uma desculpa quase que moral para ignorar minha vontade de falar-te. Vai dia e vai hora e penso que em algum momento isso deve sim acontecer. Penso que por um tempo poderíamos conversar sobre aqueles filmes que você viu, que você sabe que eu vi, e sabemos juntos que vimos porque ambos gostamos do diretor. Esse diretor tem um estilo que muito nos agrada, algo da linguagem que usa, transmite, sei lá, a solidão dos personagens. Sei que falaríamos algo como isso. Ou sobre aquele CD que você me deu no Natal passado. Mandou o moço entregar aqui em casa, com um cartão tão emocionado quanto os cartões de pessoas distantes e queridas e arrependidas devem ser. “Neste ano...” e por aí vão palavras que muito prometem, e são verdadeiras, mas, Ei!, são só palavras. Não cheguei a comentar contigo, pois afinal só nos vimos uma vez depois disso, mas eu gostei bastante do CD. Embora você saiba disso, nem preciso falar, você já sabia de antemão. Sabe, talvez seja justamente essa compreensão antecipada entre nós que nos estimule tanto a poupar palavras. E contatos. E momentos. E, no entanto, tenho palavras sobrando, ensaiadas em longo prazo na minha cabeça, para gastar na terapia que um dia irei fazer, quando criar coragem, quando criar dinheiro, quando criar prioridades na vida atrapalhada que tenho. Como poderia eu ter uma opinião sobre como nos tratamos? Espelho meu, como poderia eu? E naquele telefonema falaríamos sobre o filme, sobre o CD, e em algum ponto costurado nessas entrelinhas que nós dois sabemos bem ler, toda aquela vaga infância, todo o crescer, os longos anos que hoje passam pela minha cabeça como imagens esfumaçadas lentamente desaparecendo, tudo isso seria entendido, explicado, perdoado, consertado, vivido. Amanhã, sim, amanhã eu te ligo."

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O tempo passou! ou a Ressonância de Schumann

Então é notório que não temos mais tempo. Este artigo de luxo, que não se compra em boutiques quaisquer, nos abandonou de vez. Volta e meia um intelectual ou cientista louco ensaia uma explicação pra esse fenômeno mordaz. Outro dia, minha madrasta contou que lhe contou alguém sobre a teoria da ressonância de Schumann. De acordo com o físico alemão, cujo tempo na Terra já deve ter acabado (imagino), o campo eletromagnético do planeta possui uma ressonância que antigamente atingia uma constante de 7,83 pulsações por segundo, algo como um marca passo que rege pulsações de todos os seres vivos da mesma forma. O problema é que, de uns tempos pra cá, a partir dos anos 80 (que coisa mais recente), a Terra passou a pulsar muito mais rápido. E isso, é claro, afetou todo o equilíbrio dos ecossistemas, alterou o eixo do planeta, e o tempo, agora, passa mais rápido. Eu não sei o quanto disso é verdade. Imagino que o alemão deva ser de confiança (não se brinca com os germânicos), mas as interpretações de teorias por terceiros deixa o assunto pra lá de complicado. Fato é que, a cada dia, eu não sei o que fiz com o tempo que tinha. 24 horas parece tanto, mas é um sopro. Há quem diga, baseado no tal físico, que o dia agora tem 16 horas. Se durmo por 8 horas (e eu sou dessas que necessita de 8 horas de sono), e o dia tem 16, só restam mais 8. Entre cuidados de higiene, beleza, alimentação, arrumações rotineiras, locomoção e coisa e tal, vão mais umas 4 horas, no mínimo. Mais o trabalho, teoricamente 8 horas diárias (eu que sou bolsista doutoranda às vezes levo bem mais que isso no laboratório, mas tenho flexibilidade pra levar menos também), já me deixa devendo 4 horas negativas por dia. E o lazer? Como faço para ler, ouvir música, namorar, sair, cinema, restaurante, etc? Onde está o tempo? E o mais engraçado, ou trágico, é que, apesar disso tudo, vejo meu tempo sendo sugado pelas modernidades mais inúteis possíveis, leia-se fecebook, angrybirds, tetris (!), wii, etc. Seguimos procurando pela máquina do tempo, não para viagem, mas para multiplicação das horas, tantas horas, que precisamos.