sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os descendentes


Então assisti Os descendentes. Não sei se é a idade chegando, ou a época do mês que me encontro, mas tenho me sentido muito mais emotiva ao ver estes dramas familiares.
O filme se passa no Havaí, mas, logo de cara, nas primeiras frases narradas pelo personagem do George Clooney, Matt King, você entende que não se trata de praias cristalinas, sol rachando e mulheres com colares de hibisco balançando os quadris. É um drama familiar, sim senhor. A mãe de duas filhas, esposa do sr. King, bateu a cabeça no barco e está em coma desde então. Sua filha caçula, Scottie, está refletindo sua angústia em mau comportamento e bulling na escola. A filha mais velha, Alex, é uma adolescente que, brigada com a mãe desde o Natal, passa seus dias na escola com crises de indisciplina regadas a álcool. E o chefe de família, advogado dedicado, marido displicente e pai confuso, tenta equilibrar a situação como malabarista. Em meio às negociações da venda milionária de um terreno do qual é herdeiro junto aos seus primos, tenta manter um pensamento positivo com relação à situação da esposa. Talvez, quando ela acordar, o casamento adormecido acorde junto, a família se reúna e tudo tenha um final feliz. Assim seria, até o médico dar o veredito final: ela não vai sair do coma. Terão que desligar os aparelhos. Segue-se então a tarefa nada agradável de contar aos amigos e familiares a notícia, para que tenham a chance de se despedir. Mas uma notícia complica ainda mais as coisas: a esposa estava o traindo, havia algum tempo, com um corretor de imóveis. A filha sabia (ela o contou), e amigos sabiam. E ele decide que seria decente avisar ao amante sobre a morte. Muito altruísmo? Decisões equivocadas? Quem nunca teve um drama na família que atire a primeira pedra.
Esse não é um filme qualquer sobre o Havaí. Tampouco um filme qualquer sobre uma morte em família. É um filme que, de alguma forma, desperta um pouco de identidade e simpatia com aquela família. E, no geral, um bom entretenimento para passar o tempo. 


sábado, 28 de janeiro de 2012

Coisas Frágeis - Neil Gaiman



    Quem conhece Neil Gaiman não pára de lê-lo jamais. Espero que a criatividade dele nunca acabe, senão seria um abismo literário. Coisas Frágeis apenas mantém a fama do autor como uma autoridade na arte de contar histórias. Com 9 contos, nos mais diversos tópicos e estilos de narrativa, Gaiman nos diverte tanto que, para quem lê à noite, antes de dormir, sofre o risco perder várias horas de sono. 
    Algo bastante interessante deste livro é que há uma espécie de prólogo escrito pelo próprio autor que nos explica de onde surgiu a ideia de cada conto. Não se surpreenda se encontrar um conto feito a pedido para a estréia de Matrix, ou um conto que, usando seu personagem mais famoso, Shadow (Deuses Americanos, leia!), integra personagens da história de Beowolf. 
    Contos perturbadores, fantásticos, divertidos e surreais vão se revelando no caminho. Adorável! 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desafio Literário 2012: Julie & Julia - Julie Powell




Há, sem dúvida, uma simpatia pelos livros autobiográficos. A razão é simples: os fatos narrados são corriqueiros, por vezes trágicos, por vezes cômicos, e você já passou por eles, ou por alguns deles ao menos. O mesmo senti quando li “Comer, rezar, amar”, que pra minha surpresa de menina que não lê blockbusters, principalmente que tendam à auto-ajuda, foi um pequeno deleite. A mesma simpatia de identificação pessoal aconteceu com o livro de Julie Powell.


                                               Essa é a Julie real!

Comida e cozinha, ou cozinha e comida, é algo que permeia todas as relações humanas.  E assim como algumas pessoas são mais humanas do que outras, algumas gostam mais de cozinhar do que outras (sem ofensas... eu mesma sou quase analfabeta, mas adoro tentar!).  No livro de Julie Powell você encontrará muitas receitas entremeadas com o cotidiano ora histérico, ora tedioso, ora depressivo, ora tudo ao mesmo tempo, da secretária casada desde os 24 anos, que está prestes a completar os famigerados 30 e ainda não tem ideia de como alavancar sua vida. Talvez um bebê resolvesse o problema... talvez... não fosse sua síndrome de ovários policísticos ou a completa imaturidade emocional para a tarefa. Ela resolve então se engajar num projeto totalmente lunático: cozinhar todas as 524 receitas do livro Mastaring the Art of French Cooking, de Julia Child (para os desavisados, um clássico) em 365 dias (um ano se você fizer as contas). E registrar tudo em um blog, é claro. Daí começa a aventura de conseguir balancear a carreira (ou a falta dela), dinheiro, marido (e os ataques histéricos, quem nunca?), amigos, família (a mãe perde de vez a esperança que a pobre filha vá virar gente grande) e o desafio de realmente CONSEGUIR fazer as receitas. Porque, por favor, há um capítulo só de receitas de carnes servidas frias no meio de gelatinas? Quem come isso? E no mais, você aprende que a comida francesa é qualquer coisa, geralmente algum miúdo esquisito, como rins, fígado moela e até miolos, embebida em bastante creme de leite, com mil temperos, e muita, muita, muita, mas muita manteiga mesmo.

No final das contas, o projeto maluco engrena de verdade, e ela passa de secretária despercebida a celebridade. O blog faz um tremendo sucesso (eu mesma iria gostar de acompanhar), o que ajuda um tanto na força de vontade para seguir com a empreitada. De fato, o blog dá tão certo que ela o transforma em livro (não diga?), e hoje se dedica exclusivamente à escrita. Um final feliz, devo dizer.
Como é seu primeiro livro, às vezes a narrativa fica forçada demais, ou desconjuntada demais. Não estou criticando negativamente, na verdade acho que para uma iniciante ela escreveu muito bem. Creio que no futuro, quando eu quiser uma leitura bem calminha e engraçada, talvez eu a procure novamente. Ou tente cozinhar algum prato francês. Quem sabe...


[Você já deve saber, há pelo menos 2 anos, que existe um filme do livro (aliás, estampado nesta edição do livro). Vale a pena assistir, até porque a Meryl Streep faz Julia, o que já é louvável...]


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

TOP 5 Covers melhores que originais!

Pode parecer estranho, mas algumas vezes uma banda ou outra consegue a proeza de se sair melhor fazendo covers de músicas do que as próprias bandas que as compuseram. Claro, isso é uma raridade, requer muita inspiração e ousadia, mas acontece. Talvez a música tenha sido feita pra eles. Ou você nunca teve a sensação de que poderia escrever aquele livro tão bem ou até melhor que o autor? Tá bom, nunca tive essa sensação um tanto presunçosa, mas às vezes a luva encaixa tão bem... Aí está meu TOP 5, totalmente subjetivo, de covers que ficaram melhores que os originais. Não me leve a mal, os compositores citados são realmente gênios, mas os imitadores tiveram a felicidade de fazer a música marcante. E aí vai...

5) Tainted Love, Soft Cell (Gravação original Gloria Jones)
Nem preciso dizer, essa música é um clássico dos anos 80! Com uma pitada de sensações doentias e muitos barulhos de tecladinhos, a música ficou ótima nas mãos do Soft Cell (desnecessário dizer que este é o único cover da canção que vale a pena...)



4) Easy, Faith no More (Gravação Original Commodores)
Ver uma banda como Faith no More, que fazia músicas ora bizarras ora barulhentas, ora ambos, gravar uma canção destas com tal facilidade e naturalidade... ah, tem que se dar o crédito aos moços. E, além do mais, admito que gosto do barulho dos caras. Mas essa é inesquecível mesmo, qualquer casal apaixonado que o diga.



3) The Man Who Sold the World, Nirvana (Gravação Original David Bowie)
É claro que eu adoro o Bowie o quanto é possível adorar, e tudo que ele faz fica perfeito (tiete feelings). Mas é claro, também, que tive uma adolescência obcecada pelo Nirvana e suas camisas de flanela, cabelos sujos e guitarras quebradas nos amplificadores. Impossível negar. Quando a banda fez o Acústico MTV, meu som tocou o mesmo disco por longos meses... e não tenho vergonha disso. Eles eram bons mesmo. E essa música faz demonstra um pouco desse talento.



2) Nothing Compares 2 You, Sinéad O'Connor (Gravação Original Prince)
Sim, é de cortar os pulsos. Sim, é uma das músicas mais tristes e desesperadas que você já ouviu. Sim, a letra podia ser escrita por você. É compreensível. Por isso está aqui.



1) Superstar, Sonic Youth (Gravação Original The Carpenters)
Essa é a número 1 porque sempre que penso no tema "covers melhores que originais", é essa música que me vem à cabeça. Foi tão inesperado que o Sonic Youth fizesse algo desse tipo (quer dizer, você já ouviu Sonic Youth?), que ficou simplesmente inacreditável. No melhor sentido possível, claro. E esse vídeo, a luz, o ar retrô, me traz uma sensação de amor bandido, de tragédia iminente, que não sei explicar. Meio louco mesmo... Em June, o filme que com certeza você achou fofo, o futuro papai adotivo diz que essa é a única música da banda que é bonita de verdade, o resto é barulho. Na hora, me identifiquei tanto que até me emocionei. Hoje que escuto mais Sonic, já consigo ouvir música em meio aos barulhos. 




Sei que é um TOP 5 (referência a um dos livros mais legais que já li, High Fidelity do Nick Hornby), mas essa ficou de fora porque eu não sei se posso considerar isso um cover, pois afinal a moça era mesmo uma intérprete. Só pra constar, vai aí uma brasileira, Elis Regina, cantando uma canção do fantástico Chico Buarque, na melhor das interpretações melodramáticas, com adorável ar de jazz.



domingo, 22 de janeiro de 2012

Automático


Muitas vezes você se pega imaginando: como é que eu acho isso normal? Fazemos as mesmas coisas todos os dias, mesmo hábitos, velhos hábitos. De repente, reconhecemos isso tudo como normal, pelo mero efeito da repetição, e tudo fica automático. Será mesmo isso tudo normal? Ou seremos nós acomodados?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Pontos

Coisinhas que compõem a vida, ponto a ponto.

                                         sossego,

                                         beleza,

                                          estima,

                                                           perspectiva,
e muitas mais, todas em minúsculas, igualmente importantes, igualmente singelas...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Genética, escolhas que nossos avós não faziam - Mayana Zatz




Eu não costumo ler livros de divulgação científica, fico pensando que já tenho pouco tempo pra ler literatura "de verdade", ficção mesmo, e que, como já trabalho com ciência, minha dose diária de literatura científica já basta. Mas, vez ou outra, ganho um livro destes (ou pego emprestado), e me animo a ler. No caso deste foi meu pai quem me presenteou, na melhor das intenções. E eu acabei gostando de ler o tal livro. 
A autora, Mayana Zatz, é professora titular na USP, no departamento de Genética, ao qual eu pertenço como mera aluna. Ela é também uma das cabeças do Centro de Estudos de Genoma Humano, o local referência de aconselhamento genético em São Paulo, e no Brasil.

 O livro discute os avanços na área da genética relacionados ao diagnóstico de doenças, tratamento das mesmas e determinação de prole afetada. Hoje é possível saber de antemão, dado o histórico familiar de afetados e os exames de DNA, se um casal terá um filho doente ou não. Isso, entre outras coisas, gera uma série de questionamentos éticos que não acompanharam, com a mesma velocidade, os avanços da genética. É ético escolher o sexo dos filhos? É ético estocar sangue de cordão umbilical em bancos privados? É ético usar DNA de uma pessoa que não autorizou seu uso se for para esclarecer um crime hediondo?
Muitas questões estão em debate, e ainda não há um certo ou errado. Definir certos parâmetros de ética será fundamental daqui em diante, por dois motivos: a ciência não pára de avançar, inclusive hoje mesmo já se pode fazer mais do que nossa imaginação permite vislumbrar; e enquanto discutimos, pessoas, que poderiam se beneficiar de um tratamento inovador estão morrendo.
O livro promove um debate informativo das questões mais importantes, e que batem à nossa porta todo dia,  seja você diretamente ligado ao assunto ou não. Termino com um trecho do prólogo escrito por Jorge Forbes, médico psiquiatra: "Este livro é uma decepção para aqueles que vivem correndo atrás de reduzir a experiência humana a uma tabela de genes onde tudo estaria previsto, (...) um 'estava escrito' científico. Os que veem os geneticistas como astrólogos autorizados pela Academia, com título de doutor, vão sofrer nestas linhas, vão ficar embaraçados. Por outro lado, é um bálsamo aos que compreendem que o mais essencial da humanidade é ser criativo, a saber, onde falta a determinação biológica, porque somos seres incompletos (...)".

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cantinho

Ai que saudade da minha casinha! Moro em São Paulo com meu namorido. Nós dois fazemos doutorado lá, mas somos de Belo Horizonte, Minas Gerais, e, por isso, todo fim de ano ou feriado qualquer voltamos e ficamos com nossas famílias. Aí, já viu... fica aquele troca troca de dorme aqui dorme ali, hoje na casa da minha mãe, amanhã na sua, enfim... começo a ter saudades do nosso cubículo quadrado alugado em Sampa. Da nossa vidinha juntos, rotina, lanchinhos, de assistir à Nigella ou Star Wars (cada hora um escolhe, né), e deixar a vida passar. Já estou cheia de vontade de voltar para Pasárgada...


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012